6 de fevereiro de 2009

 

Pias de S. Bartolomeu voam para Espanha

As pias da fonte de S. Bartolomeu, perto de Castelo Branco, foram vendidas e removidas do seu local para sítio incerto em Espanha, segundo nos conta o Reconquista desta semana. Dizem que se tratou de um negócio legal. Pois, pois, qual é o negócio em Portugal que não é legal? Quem diz negócio diz negociata. Ainda estou atónito a tanta bandalheira a que está votado o património cultural português. Mas no fundo o dono do terreno tem uma certa razão ao afirmar que as pias estavam lá há tanto tempo e que ninguém lhes ligava, até estavam cobertas de mato e silvas, e que agora que as "despachou" é que vieram a "chorar" a perda.
Gostava no entanto de ouvir pareceres sobre este acontecimento, e sobre a legalidade da venda, já que me parece que a fonte de S. Bartolomeu é pública. Qualquer dia ainda alguém vende a Fonte de S. Marcos ou a Graça só porque estão quase ao abandono. Estarei a falar certo?
Foto do jornal Reconquista

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Comments:
Também fiquei espantado com a notícia dada no Reconquista. Este é dos locais que recordo da minha juventude, pois enquanto escuteiro fizemos muitos raides por aquelas bandas. Acho que seria de todo o interesse fazer um levantamento rigoroso de todo património do concelho por duas razões :
1. Saber o que existe em rigor,
2. Preservá-lo o melhor possível
Esta atitude do abandonado é uma desculpa de mau pagador. Qualquer dia lá se vão as antas, os castelos, as lagariças, as capelas ...
Como é possível que a Câmara e ou responsáveis pelo património nada tenham feito ?
 
O levantamento das pias de S. Bartolomeu suscita uma questão que merece discussão pública. Apesar de apenas ter conhecimento do caso através dos artigos publicados, atrevo-me a fazer aqui algumas considerações, não fosse este espaço um forum de debate cultural, cujo mérito é sobejamente conhecido.
vamos, pois, aos factos.
Aparentemente,alguém terá vendido um conjunto de obras de arte com um valor inestimável, invocando o direito de propriedade sobre as mesmas. Daí a expressão "negócio legal", utilizada pelo jornal Reconquista, para classificar uma transacção de feições pouco claras, considerando a superficialidade do artigo, que deixa o leitor sem resposta para uma série de questões interessantes: quem é o proprietário do terreno? a quem pertence, de direito, o fontanário, no seu conjunto? o que pensam os presidentes da junta de freguesia e do município onde se insere o referido monumento? entre outras.
Dado que foi invocada a legalidade do negócio, para justificar este atentado ao património colectivo dos albicastrenses, porque não convocar também uma série de deveres das autarquias, que por sinal até resultam de normas e preceitos legais, para classificar a sua falta, por omissão, na questão das pias. Pois não compete à Câmara Municipal assegurar, nos termos da lei, o levantamento, classificação, administração, manutenção, recuperação e divulgação do património cultural do município? Sim, compete. E não compete à freguesia conservar e promover a reparação de chafarizes e fontanários? Sim, compete, e tudo nos termos da lei. E não temos todos o dever, incluíndo as autarquias, de preservar, defender e valorizar o património cultural, promovendo a sua salvaguarda e valorização, tornando-o elemento vivificador da nossa identidade cultural? Sim, temos, tal como preceitua a própria Constituição da República Portuguesa.
Sublinhe-se ainda, que nem tudo o que é legal é moral, nem ético. E ainda que aparentemente no caso em apreço o negócio seja legal, não deixamos de estar perante um acto de verdadeira imoralidade, que corrompe e destrói. É certo que o caso não é insólito, de resto, nestes últimos anos, repetem-se as barbaridades, como se nada fosse.
Por fim, resulta curioso que na mesma edição do Jornal Reconquista que faz alarde a mais uns milhões para a cidade de Castelo Branco, porventura para construir parques de estacionamento, nos deparemos com a lamentável perda de um monumento histórico, que apenas uns milhares poderiam ter salvo, para bem de todos.
 
O "Desafio" lança uma questão pertinente. Por vezes reparo na ausência ou ineficácia das associações regionais de defesa do património relativamente a áreas como o levantamento, divulgação e protecção do mesmo.

Questiono-me, especialmente quando constato o interesse que existia na década de 70 e 80 (séc. passado), porque motivo muitas delas desapareceram ou se tornaram ineficazes.

Será que a forma como entretanto se processou a profissionalização da Arqueologia em Portugal afastou os autodidactas interessados na sua herança regional?

Quando ouço várias histórias sobre colegas que utilizaram dados de autodidactas, sem fazerem um única nota de agradecimento, questiono até que ponto serão todas falsas.

Olhando para países como a França ou Inglaterra, podemos verificar que este tipo de associações têm uma função válida e necessária no mundo actual, devendo a sua ausência no panorama nacional constituir um motivo de tristeza e não de orgulho para os arqueólogos.

Os principais interessados no património regional devem ser igualmente os seus principais defensores. Já desapareceram muitos dos obstáculos que existiam no passado para quem queria conhecer e proteger o património local. A cartografia, fotografia aérea, assim como o equipamento de registo (ex: GPS, fotografia digital) foram democratizadas. Já ninguém precisa de pedinchar ao presidente da câmara para publicar no boletim municipal (quantas vezes sujeito a censura). Qualquer indivíduo pode criar facilmente blogs, portais ou bases de dados para o efeito. Talvez o clima de saque e desresponsabilização seja uma boa desculpa para levar uma nova geração a interessar-se pelos recursos regionais e a assumir a sua cota na respectiva protecção dos mesmos.

rgaidao
 
E foram só as Pias d S.Bartolomeu?
Segundo a imprensa o saque é feito por todo o País. É só uma questão de dinheiro.Há por aí propriedades particulares cheias de Pias, Colunas de diversas épocas e outro património. Há pessoas mais conhecedoras que eu, que sabem.
Câmara, J.Freguesia? Onde está o saber ou a sensibilidade para tal? Chamam as pessoas que sabem? Claro que não.São logo considerados uns "impecilhos" que só atrasam o progresso(!). Por isso é que só escolhem "Cestinhas de Mão" e "yes-man". Depois é o que se vê.
Carlos Vale
 
"Por vezes reparo na ausência ou ineficácia das associações regionais de defesa do património relativamente a áreas como o levantamento, divulgação e protecção do mesmo."


Mas, realmente, quantas e quais são essas associações que ainda existem e fazem alguma coisa qu se veja?
É que neste momento só me lembro de uma...
 
Qual?
 
Muito se tem falado neste espaço na destruição, venda e roubo do nosso património, mas na prática ninguêm faz rigorosamente nada para que se ponha um travão neste problema, se as entidades competentes nada fazem! então e nós cidadão comuns deixa-mos fazer?!!!
Dou um exemplo prático em Idanha-a-Nova um cruzeiro centenar foi removido do local por capricho do então autarca local, a população revoltou-se mas somente em conversas de café no local ninguêm apareceu ou se indignou!
 
Yzark dois posts abaixo tens um exelente exemplo de uma associaçao dos anos 80 de continua bem activa na preservaçao e divulgaçao do patrimonio regional
cumps
 
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
 
Pois,é precisamente essa a única de que me lembro...
 
Pois é caro amigo Joaquim, eu na aldeia quando abordo assuntos relacionados com o caso presente, a resposta é. Lá estás tu com merdas, vem p'ra cá!
A gente longe perde dfireitos?
Bom trabalho amigo.
 
Caro Nabisk
De certo modo, estando longe perdemos direitos. É natural, o caro Amigo deve estar recenseado em Almada, certo? É aí que possui os seus direitos de cidadania, ou seja o voto, embora eu ache muito meritório interessar-se pelos problemas da sua terra. Infelizmente há muita gente que só por viver em Lisboa e arredores, nem que seja num bairro de lata, é mais importante do que os que não deram o salto, e costumavam armar-se. Mas olhe eu em Idanha-a-Velha onde resido e possuo toda a documentação, o mais preverso é que para certas coisas sou de cá e quando não interessa a certa gente já de cá não sou.
 
Faça lá uns posts sobre as associações de arqeuologia exsitentes na sua cidade nos anos 80. Afinal, recordar é viver. Deve indicar é a evolução ou involução rela dos seus dirigentes e respectivos subsídios recebidos. Vamos lá rir um bocadinho: Quando e onde tiraram o curso, o que peublicaram, quanto é que receberam?
PODEMOS COMEÇAR PELA ARCIMP?

A SEGUIR O NRIA? E O GEPA? E O DAS INSCRIÇÕES ROMANAS?
 
O Izark ainda encontra a minha caminha primordial. è só mais uns metros abaixo.
Lucy, a macaca humana
Me ama vai...

Com Izar é tudo tão a sério. È chato ou tacho? Ou defeito ? Era melhor dares a cara pois cá as macacas comhecem bem o teu estilo sr. P o Crú.
 
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