11 de junho de 2008
O Património virtual é que está a dar




O “caso” da arqueologia patrocinada e praticada pela Câmara Municipal de Castelo Branco começa a ser considerado de manual das práticas mais complicadas de perceber e entender. Arqueologia urbana? Arqueologia preventiva? Tá quieto ! O que é isso?
Para esta realidade têm contribuído um conjunto de situações cientifica, metodológicas e políticas menos claras e de vários autores e autoras. Não vamos desenvolver pessoalismos em demasia pois, a seguir, vem logo a teoria da perseguição…
Há tempos fizemos referências à “descoberta” de um aqueduto do antigo sistema de águas da cidade. Foi daquelas coisas que acontecem. Que chatice ninguém estava à espera daquilo! Maldita máquina e aqueles tipelhos dos blogs que só atrasam as obras do progresso da cidade. Entretanto, e o mais caricato é que o espaço tinha sido objecto de sondagens arqueológicas que como sempre
Algumas pessoas manifestaram-se tendentes à sua preservação. A coisa foi mesmo anunciada num jornal local pelo Arquitecto Afonso que como sabemos é o responsável pelo IGESPAR cá do burgo. Para ele aquilo era para manter…Até afirmou que devia ser colocado um vidro a proteger o achado pois o mesmo tinha valor patrimonial.
Já o Presidente Joaquim Morão deve ter sido, imaginamos, como sempre, subtil. Pela frente muito patrimonialista e falinha mansas que sim, que sim Sr. Doutouri, por detrás encarou aquilo como, um entrave aos «seus» parques de estacionamento. O progresso é que conta. E tem todo o direito de assim pensar. Fazer parques de estacionamento é que é preparar o futuro da cidade. È o seu entendimento e pronto!
Já a arqueóloga foi, dizem, incansável no trabalho e nos acompanhamentos. Fazia o que podia… fazer ou não fazer. Coitadinha da rapariga. Quando soube que ela não pode assistir ao Congresso de Arqueologia do Museu por causa do excesso de trabalho até percorri toda a zona histórica da minha cidade para lhe dar a minha solidariedade. Infelizmente e depois de ter tropeçado em muitos buracos e valas abertas em todas as ruas medievas não a encontrei. Devia estar escrever os relatórios e a dar cronologias aos achados que
Lá vieram os especialistas prometidos pelo Presidente Morão. Eram todos do IGESPAR á frente com o Pré-historiador PROF. JOÃO PEDRO de Paiva Gomes CUNHA-RIBEIRO
http://www.fl.ul.pt/pessoais/jpribeiro/index.htm
Não sabemos o que aconteceu nas reuniões mas terá sido ele a dizer que o túnel
NÃO TÊM INTERESSE NENHUM. NÃO é PATRIMÓNIO. NÂO VALE NADA PORQUE NÃO È ANTIGO? É DO SÉCULO XIX! Interrogamos , atenção, não afirmamos.
Então quem é que deu ordem para arrasar o achado e porquê? O IGESPAR, O Arquitecto Afonso? O Presidente Joaquim Morão?
O DOUTOR JOÃO PEDRO CUNHA RIBEIRO?
Quem é que arrasou tudo para dar lugar ao estacionamento dos pós-pós? Porque é que não se cumpriu a musealização?
Os responsáveis NÃO ficaram com a consciência tranquila! E vai daí vão fazer um filme da estrutura para ser projectado no cimento da parede para os srs. automoblistas verem enquanto estacionam. Que lindo!
Destrói-se o original em troca de uns lugares para carros Que ecológico! È uma lição de património com a apoio do Presidente para iluminarem os toscos dos albicastrenses que não sabem nada de património… Vai ser giro explicar aos nossos netos que antes do betão do parque de estacionamento havia uma estrutura em pedra seca em xisto, do século XIX, que foi arrasada pelos sábios da câmara do século XXI, com o apoio e conivência dos reponsáveis?
Última pergunta quem paga o filme? E já agora a nível do património
PARA A FRENTE COM A ASSOCIAÇÃO DE PATRIMÒNIO CULTURAL.
PS- O LOCAL ESTÁ NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRECTA DE MONUMNENTO NACIONAL. OU NÂO?
As fotos recentes são autoria do nosso estimado Amigo Luís Norberto Lourenço, a quem desde já agradecemos
Etiquetas: Largo de S. João
Os romanos vão de Castelo Branco?
O património que tem aparecido em cada buraco que se faz na cidade albicastrense rapidamente desaparece, pretensamente por não ser importante ou minimamente relevante. O preocupante da questão é o facto de que a esse património estão a ser aplicadas as políticas vigentes na época em que supostamente foram erguidas.
É no mínimo uma política cultural sui generis, numa cidade, que para o bem e para o mal, pouco tem a oferecer às pessoas que a visitam, senão o seu riquíssimo património cada vez mais mal-tratado.
Yzark
Sabemos que as infracções ao património cultural são passíveis de procedimento judicial, mas será que a lei sobre o património é aplicada a todos? Se é, não parece! Será que estamos a assistir em Castelo Branco ao "Encobrimento Deliberado" de Descobertas? Se assim é, estamos perante um caso grave de destruição deliberada e consentida do nosso património.
Mediante tantos casos é necessário que se levante um Movimento de Cidadãos para a Defesa e Preservação de todo o nosso património, histórico, artístico, cultural e natural.
Castelo Branco é uma terra com história, tradição e cultura, daí estar-mos conscientes da necessidade da participação de todos, num caso como este que toca nos nossos sentimentos e afectos.
Amigo de longa data de Joaquim Batista, sei quanto valem as suas palavras. E sobretudo, sei do seu real interesse pelo nosso património. Muitos anos de trabalhos conjuntos, muitos anos de lutas contra sistemas instituidos, fazem da sua pessoa, um dos poucos que ainda consegue lutar contra tudo e todos. Bem-Haja, amigo, pela tua disponibilidade e vontade de preservar o que deveria ser um actos de todos os albicastrenses.
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