18 de junho de 2008

 

A muralha albicastrense

Vamos acreditar que sim.
Ou é também uma reconstrução do século XIX, e por isso sem valor patrimonial?
A ver vamos.
Que Santa Eulália nos valha.......
Foto surripada ao nosso companheiro António Veríssimo

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Comments:
Porquê Santa Eulália e não Santa Ana, Santa Marta, Santa Eufémia, Santa Bárbara, Santa Apolónia, Santa Rita? É devoto dessa oraga?
 
Será que nestas obras todas, não aparece se quer um vestígio arqueológico? Muito estranho mesmo...
 
Actualmente, o forte interesse pelo centro de cidade de Castelo Branco leva a procurar a sua renovação, o que significa destruir total ou parcialmente o edificado, caso seja considerado um freio à evolução, substituindo-o por novas construções, sem tomar em consideração o seu valor estético ou histórico.
Este entendimento da renovação urbana prende-se com o conceito de património, que para alguns, consideram apenas os monumentos históricos e artísticos construídos antes da Revolução Industrial como bens patrimoniais, excluindo-se obras de épocas mais modestas e de épocas mais recentes e conjuntos urbanos. Frequentemente tal destruição realiza-se mesmo com o propósito de valorizar o património: arrasam-se os edifícios sempre com o pretexto de contribuir para combater a insalubridade dos bairros antigos.
Devemos considerar que o centro da cidade se caracteriza pela sua cultura, ética, valores e instituições, vividos no quotidiano, e não apenas pelos aspectos económicos, sociais e políticos.
A salvaguarda do património de tipo intervencionista deveria compreender diversos tipos de tentativas de valorização do património, de que destacamos:
• a conservação e o restauro, assinalando as intervenções realizadas, uma vez que o passado nunca se pode reconstituir de um modo perfeito;
• a designada “mise en scène”, ou seja, encenação, que consiste em apresentar um monumento como um espectáculo (é o caso da iluminação nocturna);
• a animação, que utiliza a mediação entre o património e o público, através de intermediários humanos ou não, de modo a torná-lo mais acessível (ou consumível?) para o grande público;
• a modernização, em que uma construção nova é colocada no monumento ou na sua proximidade;
• a “conversion en espèces”, que designa o aluguer dos monumentos ou a sua utilização como suporte publicitário, por exemplo;
• a distribuição, que procura proporcionar uma melhor acessibilidade ao património (por exemplo, através da criação de parques de estacionamento);
• a reutilização, entendida como utilização de um monumento desafectado para um uso igual ou diferente do original ou daquele para o qual foi concebido;
• e finalmente, a integração das cidades e conjuntos antigos na vida contemporânea, conservando-os vivos, humana e funcionalmente.
Somos levados a reconhecer que o futuro do património construído da cidade de Castelo Branco parece preocupante, num momento onde se percebe um certo esvaziamento de monumentos, um desgaste pronunciado do tecido urbano e uma decomposição das relações sociais entre população e poder político. Nunca se produziu tanto e de maneira tão ineficaz como hoje em dia.
 
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