23 de novembro de 2007

 

Coisinhas da História

A gente viu e reviu. A gente ouviu. Escutou. Perguntou. A gente interrogou: Como é que são (ainda) possíveis coisas destas. Que nos desculpem os amantes do género mas o novo programa do Professor José Hermano Saraiva dedicado à cidade de Castelo Branco foi uma peça de um folclórismo histórico do piorio. Isto de começar com os templários e terminar com os queijos… só o nosso querido Professor Saraiva. (Este Investigações ou seriedades históricas? Não. São antes retratos do nosso Portugal da primeira década do século XXI. As mudanças do país, as acessibilidades, as rotundas, as culturinhas, os turismos, os patriomoniozinhos, as desertificações, os queijinhos, os docinhos… Depois vêem os agentes da mudança os senhores políticos locais com alguns dos doutos técnicos que ajudaram à confecção do programa laudatório da respectiva santa terrinha. Os nomes aparecem sempre, a correr (oh, Ó,ó,ó,ó) na ficha técnica. Se calhar, a visita televisiva conta para o curriculum cientifico de alguns. Já estamos a ver o júri do concurso da Drª Dulce Vanessa: «Ó pá, ela colaborou no programa quando aparecemos na televisão. Aquela vez com o senhor Doutor Hermano Saraiva. Foi ela que se alembrou da ementa regional do almocinho de trabalho com os gajos» . «Já me alembro. Tive cá uma azia. Foram os queijos, foram os queijos».

Concordamos com o nosso colega Stalker quando escreveu:

«O programa de hoje de Hermano Saraiva foi um comício dedicado a Castelo Branco. Cidade exemplo ao nível do crescimento, do emprego, do empreendedorismo, das condições de vida, um verdadeiro modelo para o resto do país, pois segundo as palavras do autor do programa se outras regiões seguissem o nosso exemplo, o país estaria uns bons furos acima na competitividade. Um mimo. (…)
Uma peça antológica, talvez a responder às críticas que se ouviram quando há uns anos o mesmo José Hermano Saraiva fez um programa sobre a cidade, nada do agrado dos locais.

Sim. O programa realizado vai para alguns anos, não foi mesmo do agrado de alguns locais. Atenção só alguns. Principalmente, e vejam lá a originalidade, para não dizer outra coisa, do Senhor Presidente da Câmara da minha cidade Joaquim Morão. Em entrevista dada à revista «Raia», em 2000, o Professor José Hermano Saraiva recordou o assunto. Como não inclui esta crise historiográfica albicastrense nas suas magníficas memórias resolvemos, para contextualização dos nossos leitores, reproduzir o que o Professor respondeu à pergunta: “Algum dos seus programas gerou polémica?”. Vem na página 15, do número 43 da revista RAIA e não consta que tenha havido desmentido.

«Ainda hoje, em cerca de 3000 programas houve só dois que originaram protestos. Foi o do Seixal e o de Castelo Branco. A razão é espantosa. Referi no programa que no princípio do século XIII, o concelho da Covilhã, onde se praticava a transumância veio com os seus rebanhos e tentou atravessar o concelho de CASTELO BRANCO. Acontece que quem mandava lá eram os templários que não lhes deram licença para atravessarem os campos albicastrenses. Os templários, em conjunto com o concelho de Castelo branco, caíram-lhes em cima e mataram-nos. a sentença original está na Torre do Tombo. O povo foi julgado e o rei ordenou que se construísse uma capela para recolher os cadáveres da Covilhã. (…) Este episódio é dos mais importantes da história social portuguesa. Castelo branco protestou dizendo que eu estava a recordar factos baseados em lendas. Mas quem protestou foram os rotários. Levei a carta ao presidente nacional dos rotários, que era o juiz conselheiro Gonçalves Pereira e disse-lhe que estranhava MUITO VER OS ROTÁRIOS TOMAREM POSIÇÃO NUM ASSUNTO CONTRA A VERDADE. Ele ficou de ver o que se passava. Um Mês depois telefonou-me e contou-me que.” O presidente mente, não houve nenhuma votação, nem nenhuma reunião, e o que o presidente dos rotários de Castelo Branco fez isto porque o presidente da Câmara Joaquim Morão lhe pediu, atitude que já mereceu censura. O facto passou-se no século XII, é verdadeiro, e no século XXI tenta-se desmentir.»

É curioso não é, toda esta memória associada ao primeiro programa sobre CASTELO BRANCO do professor José Hermano Saraiva. E se foi mesmo assim, palavras para quê? Não valia nem vale a pena. As obras do Polis, sempre com grandes acompanhamentos arqueológicos e pesadas edições bibliográficas, construiriam a nova História da agora tão progressiva (será?) cidade de Castelo Branco.

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Comments:
Hó Joaquim Baptista só tenho pena que o amigo não tenha estado presente como figurante neste programa, acredito que iria dar um belo templário a tentar conquistar não sei o quê! Mas afinal qual é a sua? será que este blog só serve para criticar e voltar a criticar, voçê começa a ser já tipo da critica, colado a tudo o que se faz somente para criticar, será que o programa não traz nada de bom à cidade de Castelo Branco?.
O amigo começa a ser um caso sério de critica severa, seja mais positivo e alegre-se com a vida que é tão curta e tem tanto para dar.
 
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