30 de abril de 2007

 

Continuar com a mentira????


Imagem fornecida pela DGEMN, retratando Idanha-a-Velha, numa época em que as escavações na periferia da Sé ainda não tinham começado, como se pode comprovar. Podemos também observar um quadro típico de mulheres a irem e a virem das hortas.
O arco já tinha sido inventado.
Escavações posteriores vieram retirar toda a credibilidade a este monumento.
O que fazer? Deixar estar continuando um engano a pervelecer, ou arrear, retomando a verdade histórica?
Uma mentira dita tanta, tanta vez, acaba por virar verdade. Será este um caso?

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Comments:
O que estás para aí a dizer é uma parvoíce a todo o tamanho. Nunca ouvi nada disso e conheço Idanha-a-Velha há já dezenas de anos
 
Estimado Baptista,
esta não é uma das minhas áreas, mas "lá fora" é normal o processo de reconstituição histórica, enquanto aqui a tribo arquelógico é tão avessa a qq coisa que se assemelhe a levantar uma ruína!
Nunca percebi a razão de ser de tal situação. A própria memória nacionalistica do estado novo não terá criado anticorpos de preconceito na tribo arqueológica?
J.
 
Caros amigos,

"José Afonso", figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarista e pela liberdade e democracia, é tema de um selo que está em 5º lugar. Precisamos do voto de todos para que se faça um selo em sua memória e em louvor à Liberdade.
Num período de exaltação de valores salazaristas, devemos contrapor com os nossos defensores de Abril!

“Venham mais cinco!!
Traz um amigo também!”


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Abril, SEMPRE!!

Davide da Costa
 
Caro Joaquim:

Esse arco foi reconstruido, ou construido todo com pedras novas?
 
O arco foi construído, com pedras achadas em Idanha-a-Velha. Não se trata de qualquer reconstrução, apenas de uma invenção. Escavações efectuadas há alguns anos verificaram que no local apenas existe troço de muralha. A feitura desta porta prende-se com o velho dogma de que uma cidade romana tinha que ter 4 portas e identificada uma a norte esta seria a do sul, mas tudo isto feito porque sim, nada foi apoiado em requisitos científicos.
 
Joaquim,

Se percorrer o país irá encontrar dezenas de milhares de "efabulações históricas", fruto de toda uma época, conotada com a procura quase febril da fundação da nação. A própria história da arqueologia dir-lhe-à isso mesmo. O problema, quanto a mim, não está na veracidade deste "património inventado", mas sim nas identidades que ele gera. Apresento-lhe um exemplo: em Santiago do Cacém, nas ruinas de Miróbriga existe um templo de Diana no alto do monte, tudo fruto da fértil imaginação de um dos arqueólogos da época . Hoje, sabe-se desta "efabulação", pórém, a própria localidade já assumiu a identidade deste local, por toda a povoação se encontram alusões a este "património inventado", ou seja, pastelarias, lojas, etc., que utilizam como simbolo este templo. Pergunto, a titulo da verdade cientifica, destroi-se o templo e ao mesmo tempo um dos emblemas identitários assumidos pela localidade?

A minha resposta é não, basta contar-se a verdade através da devida contextualização histórica de toda uma época fértil em "patrimónios inventados", e já agora, aproveitar para expôr em jeito de análise as relações identitárias que eles projectam...

um abraço
 
Nunca é tarde para substituir mitos por dados científicos. Já várias vezes falei com alunos do ensino secundário que se referiam ao templo de Évora, como templo romano e não de Diana. Aparentemente em consequência da alteração dos manuais escolares e guias turisticos mais recentes.
 
Concordo com o Eddy Nelson, infelizmente esta abordagem ainda é rara nos monumentos portugueses. Talvez porque as acções da DGMEN eram pouco documentadas e ainda hoje faltarem para alguns monumentos, estudos rigorosos para identificar o que foi destruido, reconstruido, consolidado ou mesmo inventado.
 
Não será também mentira o que aconteceu à Sé de Idanha-a-Velha? Já vi fotos da Sé em que esta se apresentava numa ruina sem telhado com as paredes incompletas. Dever-se-ia manter assim?
 
A questão das reconstruções sempre foi polémica, mas não me oponho a que sejam realizadas desde que utilizem materiais originais, e sempre que forem utilizados materiais novos estes deeverão ser claramente identificados ( por cor ou textura ). No caso da Sé aceito que seja mais fácil conservá-la se for dotada de um telhado, mesmo que não original, mas tal deverá ficar bem explícito.

É um facto que o extremismo religioso dos cristãos levou ao desmantelamento de práticamente todos os templos romanos, ( irónicamente as pontes não o foram, mas apenas porque davam jeito ), existentes na época, mas penso que uma reconstrução real e integral de um desses templos seria uma formidável atracção turística, desde que para isso se utilizem elementos originais, completados por elemento novos mas dos mesmos materiais.
 
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