6 de fevereiro de 2012

 

Faleceu Alfonso Naharro i Riera (I941-2011)



http://player.vimeo.com/video/35859014?title=0&byline=0&portrait=0

Faleceu em Cáceres, Alfonso Naharro Riera, uma das personalidades mais singulares da história da arqueologia da Estremadura das últimas décadas. Espírito irreverente, libertário e sempre sonhador, Alfonso Naharro aplicou, durante toda a vida, as dinâmicas da anarquia enquanto filosofia política à arqueologia, conjugando a busca da fonte primeva da ciência com a liberdade e apelo interior. Foram inúmeras as descobertas que efectuou e os documentos que descodificou. Com todos partilhou, numa notável filantropia e desprendimento, os seus originais conhecimentos e incríveis saberes. Foi um homem original, culto e sábio. O património cultural e a comunidade arqueológica da Estremadura, principalmente a da província de Cáceres, e a da raia da Beira portuguesa, devem alguma coisa a este autodidacta.


Iberista assumido, Alfonso deixou uma marca indelével na região da Beira Baixa cuja história conhecia como ninguém e cuja herança cultural incessantemente defendeu. Num já longínquo Outubro de 1979, no Iº Colóquio de Arqueologia e História, realizado em Penamacor, apareceu de maneira clandestina. Um problema para as autoridades…Tinha entrado em Portugal não pela fronteira oficiosa mas atravessado a sua querida e desconcertante raia. Ficaram célebres as suas intervenções sobre a necessidade de conjugação regional transfronteiriça na apropriação do imaginário de Viriato. Manipulado durante as ditaduras peninsulares do século XX, Viriato era, para Alfonso, o grande exemplo da liberdade histórica dos povos oprimidos cujo espírito tinha de ser restaurado face ao avanço do capitalismo. Premonitórias palavras e atitudes.... Hábil problematizador, pedagogo anti-dogmático, anti-sistema, foi um pacifista, suportando um original sincretismo cultural, social, geográfico e temporal. Para ordem: o cosmos. Acima hierarquicamente só Deus.

Personalidade inquieta escreveu um dia a propósito das divisões da fronteira luso-espanhola: «‘somos os mesmos', humanos que caminamos hacia los infinitos del Gran Constructor. Somos albañiles del futuro plasmando un presente antiguo, hacia nuevos horizontes enroscados a la rueda intemporal y sujetos a nuestra libertad.»

Respeitou todas as coisas e cores da vida. Bem-haja pela partilha de décadas. Que descanses em paz querido amigo. Uma certeza: a tua verdadeira história começa agora.

Joaquim Baptista, António Joaquim Nunes e Pedro Salvado

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