21 de julho de 2009

 

Outras catalogações 1





As surpresas ao lermos algumas peças bibliográficas surgidas na região, continuam a surgir. Desta vez é no auto apelidado “I Catálogo de Bens Culturais da Beira-Baixa”, editado pela Sociedade dos Amigos do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior vai para algum tempo e que assim se dedica a ser também amiga dos bens.

Subordinado ao tema «A soma é mais importante que as partes isoladas» foi um trabalho coordenado por Lopes Marcelo. A ideia foi simples. Os 11 concelhos do distrito elegeram três bens culturais que acharam mais significativos para dar uma imagem das suas riquezas. Ficámos sem saber os critérios de tal escolha baseada no três. Deve ser porque como diz o Povo: “Três são as contas que Deus fez”.. O catálogo, profusamente ilustrado, reúne os escritos de enquadramento de cada um dos ditos cujos bens escolhidos pelas Câmaras. Há de tudo e para todos os gostos o que é normal neste tipo de iniciativas de reunião de bens. Mas a começar pela “filosofia” da iniciativa que está apontada num texto não assinado mas que presumimos ser de Lopes Marcelo, a acabar nalgumas das partes, o catálogo é uma autêntica salada russa, digo, beira baixiana onde tudo vale. Merece uma análise pormenorizada pela “riqueza das partes e de assinaturas algumas boas outra... Respigamos, por exemplo, do texto anónimo:« As dinâmicas culturais não valem tanto pelo seu aspecto institucional, formal, frio e especializado, mas sobretudo pela coerência e verdade colocadas na dignificação dos produtos e valores culturais, etnograficamente contextualizados, enquanto criações que são expressão do esforço, do engenho e da arte que originou os saberes das pessoas em interacção com o seu território. O que verdadeiramente importa são as maneiras de ser e de estar, de fruir e de percepcionar as terras (Comunidades) e as pessoas.»

Não percebi bem o que se pretendeu comunicar com estas frases. Assumo desde já, e desculpem a minha ignorância, a minha falta de capacidade em ter entendimento quais serão os valores etnograficamente contextualizados neste catálogo. Ainda por cima fiquei com a sensação de já ter lido isto em algum outro local.

Como se propugna, e muito bem, a COERÊNCIA E A VERDADE nesta obra apontemos o caso do texto Apresentação da cidade de Castelo Branco de autoria da nossa velha conhecida Drª Sílvia Moreira. «… as ruelas típicas do centro histórico, que serpenteiam a encosta íngreme até ao castelo, convidam o visitante à descoberta das janelas e portados quinhentistas, singulares apontamentos da Arquitectura Manuelina. Troços ainda bem conservados da antiga muralha medieval são visíveis ao longo das labirínticas ruas. No aprazível largo da Igreja de Santa Maria do Castelo, avista-se a imponente torre de menagem (…).

Que lindo Srª drª Sílvia! Que poético. Ele são as ruas típicas, labirínticas, serpenteadas. Ele é o Manuelino, o medieval E AFINS… Já está chorar como o menino do quadro de tanta emoção e de alegria com tanta coisa bela que se pode deslumbrar. Ainda por cima descobrimos agora outra capacidade da drª. Sílvia. Estamos perante uma cientista que tal como o Srº Arquitecto Afonso está a revolucionar a história da cidade. Vê de uma maneira muito própria o que está e o que não está, como por exemplo a torre de menagem do antigo Castelo templário. Pensávamos que a torre tinha sido destruída vai para séculos. Para a arqueóloga Sílvia Moreira nada disso. Continua lá desde os tempos em que o Duarte de Armas a desenhou. Se calhar também sofreu agora um vergonhoso “restauro” e invenções que a Câmara anda a fazer nas muralhas na continuidade dos Monumentos Nacionais. Um mistério ou então pior. A edição da ignorância feita por uma técnica e num catálogo subsidiado com os nossos impostos foi controlada pelo coordenador da Sociedade dos Amigos? Mas há mais nesta obra que soma mais algumas ignorâncias e lugares comuns do nosso depauperado património regional. À Sílvia, funcionária pública, que pode achar que anda a ser perseguida por este blog, um conselho. Antes de escrever baboseiras, leia. O fundo local da Biblioteca de Castelo Branco é muito bom e vale a pena que lhe dedique umas horas. Está situado lá ao fundo da sala de leitura um bocadinho longe dos lugares das fofocas mas acessível. Como é uma Biblioteca não há lugar para os rumores, as intriguinhas, os risinhos, as criticazinhas ou os zumbidos do vespeiro…Uma pena, nê?

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Comments:
Sinceramente, a frase transcrita é ,´também para mim, muito hermética.Faz-me lembrar aqueles discursos em que não se tem nada para dizer mas, sendo preciso fazê-lo,ou seja ,neste caso encher a folha, se atira para ali com um conjunto de termos bonitos e rebuscados que todos ouvem atentamente ,ecenam «que sim» com a cabeça mas, ninguém percebe nada.Quanto`a Dra Silvia ,talvez seja sonhadora como eu e... em sonhos tudo é possível...Agora que a senhora tem veia poética ,não´há dúvida que tem...ou não sejamos nós um país de «trovadores»...(Também quis falar bem !Será que consegui?!)
 
O parágrafo citado é demasiado longo, tornando a sua compreensão mais difícil e complexa. Está, contudo correcto e traduz a percepção do(a) seu(ua) autor(a)sobre a importância do levantamento do património etnográfico. Pelo Post do autor a dificuldade deve estar aqui, património etnográfico, até pela forma como comenta o património seleccionado para cada região.
 
o problema destas publicações co-financiadas em jeito de caciquismo é exatamente este: "muita uva e pouca parra". é urgente perguntar: escreve-se para quem? quem é o público-alvo que vai ler estas obras de "ficção poética". quando na verdade não interessam a ninguém, secalhar nem aos próprios autores, que todos os dias cospem para estes lugares encantados.

CB/A. L.
 
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Eliminei o comentário, porque vim a saber onde era a fonte emissora.
 
Ainda bem que temos connosco pessoas sábias nos meandros da língua portuguesa que nos dizem que afinal o «qui pro quo» do sobredito parágrafo é ser demasiado longo.O sr ,amigo Baptista, tal como eu e outros «quejandos» é que temos que estudar um pouco mais de português para sabermos interpretar tão doutas palavras ;aí nossas ,ou antes ,minha pobre mente não penetra vivendo na sombra vil da ignorância!Bem -haja pois, a caridosa alma que me fez vislumbrar
as minhas limitações linguísticas.
Isto é o resultado de ser sonhador e devido a isso, até escrevi «ecenam ,onde devia ter escrito acenam»,isto no meu miserando escrito do dia 21.Aqui fica a correcção como prova de que já me comecei a emendar(Correcção?!,ou será que já é Correção?! Baralhei de vez com o acordo ortográfico...
 
Eliminei 96 comentários. Não tem mais nada que fazer?
 
Ainda não tive acesso a esse livro mas ao ler sobre a torre de menagem fiquei atónito. Mas já que falas dela, da torre, há pelo menos uma imagem de meados do séc.XIX, na qual se vê perfeitamente a torre de menagem. Portanto não estaremos a falar de há séculos, mas provavelmente um século e "qualquer coisa".
Num outro livro recente, os dos arquitectos sobre a zona histórica, a confusão da torre de menagem também lá está presente. Fala-se na rua Nova como um eixo que conduz da Torre do Relógio até à Torre de Menagem...
Abraço,
CS
 
Assim, ficará mais compreensível?

in: http://samftpj.blogspot.com/2009/03/i-catalogo-de-bens-culturais-da-beira_05.html

"Estudar, revelar, respeitar e divulgar a personalidade cultural dos territórios é um exercício essencial de cultivo identitário e de partilha solidária que está na base da cidadania cultural responsável e activa. As dinâmicas culturais não valem tanto pelo seu aspecto institucional, formal, frio e especializado, mas sobretudo pela coerência e verdade colocados na dignificação dos produtos e valores culturais, etnograficamente contextualizados, enquanto criações que são expressão do esforço, do engenho e arte que originou os saberes das pessoas em interacção com o seu território.

O que verdadeiramente importa são as maneiras de ser e de estar, de fruir e percepcionar o património cultural. E, tal dinâmica exige o diálogo, a partilha e formação em exercício que só num trabalho em rede é possível."
 
Explicação para os 3 bens. O trabalho continua, começou por três bens, para cada zona, mais vai sendo alargado.

Mais:
http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Comunicacao/Agenda/20090305.htm

16h00
Castelo Branco, Museu Francisco Tavares Proença Jr.
A Secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos, preside à sessão de lançamento do Catálogo de Bens Culturais da Beira Baixa que resulta de um trabalho coordenado por uma equipa de sócios da Sociedade de Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Jr e que envolve os 11 concelhos do Distrito de Castelo Branco e os dois museus sem âmbito municipal: o Tavares Proença e o dos Lanifícios. O projecto pretende completar em anos próximos a Rede Cultural e Patrimonial da Beira Baixa, mas apresenta, desde já, uma primeira selecção dos 3 bens culturais que cada concelho considerou serem significativos e demonstrativos da sua especificidade.
 
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O homem, cada pessoa, sentir-se-á mais filho da sua terra, na medida em que conheça, revisite e partilhe cada vez mais a magia e a sabedoria dos rituais, das ... tradições e valores históricos, através dos quais a sua identidade é .... É a sabedoria popular que exprime a partilha e a comunhão ...
www.adraces.pt/ficheiros/conteudos/1174409836Viver001.pdf -









Parte do texto já foi publicado.Dá para tudo?
 
Esta colagem da iniciativa ao Governo também foi...interessante!
 
E quem é que escreve nesta obra?
 
José Sócrates diz que "“Ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu”. Novo artigo sobre essas declarações do nosso PM e acerca das propostas do seu "amiguinho do Seixal", Samuel Cruz. Tudo no blogue O Flamingo.
 
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