10 de outubro de 2008

 

Maria Adelaide Neto Salvado. A Senhora "Geografia"




























Há já algum tempo que queríamos escrever este post a propósito de uma das personalidades científicas regionais que continuamente tenho vindo a admirar. Uma cientista que tem sabido de uma maneira sublime aliar a História com Geografia. Referimo-nos à Drª. Adelaide Salvado que de seriedade e constância é feito o seu caminho

Nasceu em Vila Franca de Xira, e é licenciada em Ciências Geográficas pela Universidade Clássica de Lisboa, onde foi aluna do Professor Orlando Ribeiro, vulto que sempre considerou como o seu grande Mestre.

Radicada, desde 1969, em Castelo Branco, foi docente do ensino secundário (Liceu Nacional de Castelo Branco) instituição onde fez parte do primeiro Conselho Directivo democrático e do ensino superior politécnico. Foi neste estabelecimento que a conheci ainda antes dos saudosos e revolucionários tempos do PREC. Fui seu aluno nas disciplinas de Geografia e Desenho. Corria o ano lectivo de 1972/73. Era o protótipo da Professora que tínhamos que respeitar pelo seu saber e exigência, apesar de nesses tempos andarmos pelas águas do estalinismo e do grande educador camarada MAO…

Mais tarde tive ocasião de trabalhar com ela enquanto funcionário do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. A Dr.ª Adelaide Salvado foi conservadora ajudante do Museu, tendo promovido e elaborado diversos estudos relacionados com expressões da cultura regional. Lembro-me de duas: Uma sobre fotografias antigas de Castelo Branco intitulada “Castelo Branco, Vida e Crescimento de uma cidade” e outra sobre “As rendas de Malpica do Tejo”. É verdade. O cargo no Museu foi exercido de um modo gratuito. A Dr.ª Adelaide nunca recebeu nada por parte do Estado pelo seu trabalho em prol da comunidade. Nem uma colcha!

Muitos outros trabalhos e exposições coordenou, muitos estudos editou, muitas conferência proferiu paginando tudo isso com a actividade de docente da Escola Superior de Educação. Continua a magistralmente comunicar todo o seu saber -dizem-nos -agora na USALBI de Castelo Branco, onde tem uma autêntica corte de seguidores e de admiradores. Ainda bem que não se cala! È uma cidadã viva e activa!

Leccionou e lecciona áreas da Geografia, da Didáctica e da História Regional. Sócia de algumas instituições científicas e de solidariedade social recebeu em o Prémio de História Regional da AIP pela obra em co-autoria Rei Wamba- Espaço e Memória. Desenvolvendo igualmente trabalho na área social e na sua, em 2004, nas comemorações do 25 de Abril de Castelo Branco, foi homenageada pela sua postura cívica em prol da verdade e da liberdade, combatendo sempre a exclusão social e cultural.

Não contando com as dezenas de artigos editado em revistas nacionais e estrangeiras (Como seria importante a sua reunião) È autora, entre outras, das seguintes obras:

Os Avieiros nos finais da década de cinquenta (1985), O Espaço e o Sagrado em S. Pedro de Vir-a-Corça (1993), O Culto do Espírito Santo em Terras da Beira Baixa (1997), A Confraria de Nossa Senhora do Rosário de Castelo Branco - Espelho de quereres e sentires (1998), O Jardim do Paço de Castelo Branco roteiro de uma vista de estudo (1999), Remoinhos , Ventos e Tempos da Beira (Org) (2000), Nossa Senhora do Carmo nas Alminhas da Beira Baixa (2001) Nossa Senhora da Azenha a Luz da Raia (2001), O Colégio de S. Fiel (2001),Elementos para a História da Misericórdia de Monsanto (2001), A Misericórdia de Medelim. Apontamentos e lembranças para a sua história. (2002), A procissão do Corpo de Deus de Castelo Branco (religião e poder politico elementos para o seu estudo) (2003) , O Horto de Amato Lusitano (2004), Capela do Espírito Santo de Castelo Branco. Elementos para o seu conhecimento, (2005). Co-Coordena com António Lourenço Marques os “Cadernos Medicina- Pré-História da Beira Interior “e faz parte do Conselho editorial da Revista de Cultura “Estudos de Castelo Branco”.

Há um texto da Drª Adelaide Salvado de 1971 que –vejam lá –já então trazia para o seu título a expressão - desenvolvimento regional. Aí referenciam-se muito as terras da Idanha. Premonitória geografia do sentir? Achamos que sim. Pois a Drª. Adelaide é uma autêntica idanhense de adopção apaixonada pelas suas paisagens e preocupada pelo devir destas terras de finisterra interior como gosta de dizer. Sem avenças, muito tem trabalhado com humildade e seriedade científica esta nossa Amiga.

Tem uma casa em Monsanto da Beira que considera o seu refúgio de escrita e espiritual e aí descodifica os nós e os laços entre os tempos, os homens e Deus.

PS - Não vai sendo altura da nossa Câmara Municipal proceder a um reconhecimento público da Drª Adelaide Salvado, como idanhense de adopção ao mesmo tempo que lhe reuniam os seus textos sobre as tantas realidades culturais das nossas terras?

PS - Em posts posteriores colocaremos alguns trechos de obras da Dr. Adelaide Salvado na net.

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A Drª Adelide também colabora com a Rádio Club de Monsanto.
 
Depois de ler o seu texto, fiquei a admirar mais ainda a Drª Adelaide Salvado,cuja obra, mesmo à distância, sigo atentamente.
Concordo com a ideia de reunir os seus escritos dispersos e com uma justa homenagem, por parte da Câmara Municipal de Idanha.
Felicito-o, a si também, pela divulgação que faz da sua região,o que me permite estar ao corrente de uma parcela do que se passa por essas terras.
 
li e continuo a ler toda a bibliografia da Drª Adelaide Salvado. em termos de profundidade, eloquência e transmissão de um saber tão diversificado sobre as gentes e os lugares do concelho, é de aplaudir de pé e, claro, a merecida homenagem...

um abraço
 
Deve acrescentar a essa lista bibliográfica da Prof. Adelaide Salvado as seguintes obras:

- Em nome do Amor... José Pina e Maribela um caso de Amor e Morte em Sarnadas de Ródão no início do séc. XX (2001)
- Casa da Infância e Juventude de Castelo Branco- Rumos Educativos1866-2006 (2006).

Quanto á reunião dos seus trabalhos, a Câmara de Idanha deve avançar já com isso, a bem da cultura regional e nacional.
 
Joaquim: A Prof. Adelaide Salvado esteve na génese do IP de Castelo Branco. Sabia?
 
Sr. Baptista
É sempre bom dar graxa ao "cágado", não vá precisar da família Salvado...
 
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