23 de janeiro de 2007

 

O SENHOR PADRE TARCÍSIO



«Se um católico aceitar a liberalização do aborto incorre na censura da excomunhão. (...) Se votar ‘sim’ poderá estar também a cometer um pecado mortal gravíssimo». Sabem quem é o autor desta..., digamos para não ferir ninguém, ‘antiguidade?

Nada mais nada menos que o nosso professor de Religião e Moral quando frequentamos o então ciclo preparatório em Castelo Branco: cónego Tarcísio Alves que hoje oficia em Castelo de Vide.

Se hoje somos pouco fadados para a música devemo-lo ao senhor padre Tarcísio e às suas peculiares ‘pedagogias’ musicais. O senhor padre era muito ecléctico. Além da música e da religião e moral escrevia umas crónicas de pendor histórico no jornal Reconquista, que como se sabe é propriedade da fábrica da Igreja. Já na altura não gostávamos muito das suas contribuições para a história local. A passagem do tempo confirmou-nos essas dúvidas. Com efeito, ao contrário de outros padres albicastrenses, como foi o caso do saudoso senhor padre Anacleto Martins ( a ele dedicaremos um post), as incursões históricas do padre Tarcísio possuem um diminuto ou nulo valor. Inscrevem-se, é verdade, numa antiga tradição desenvolvida por um determinado segmento da erudição católica: a cópia, a invenção, o plágio mais ou menos suave, mais ou menos lateralizado. Enfim, hoje só as lê quem quer. De entre as suas contribuições ficou célebre a edição, em meados dos anos setenta, do folheto «O Santuário de Nossa Senhora de Mércoles”, templo mariano de grande devoção albicastrense. Não imaginam a dificuldade que tem havido em modificar a opinião do colectivo face ao que aí então se escreveu. O texto do senhor padre Tarcísio passou a ‘tradição” bibliográfica local. Ainda no último ano, o vimos à venda, numa fruste reedição fotocopiada, durante a romaria. Também é verdade que só compra quem quer esta relíquia da historiografia de Castelo Branco.

Quanto à frase que inicia este post, fazemos nossas as palavras de historiador Rui Tavares, publicada, no último sábado, no jornal Público: « Colocadas no seu contexto, são ameaças sérias – caso contrário, a chantagem não funcionaria-, além de ilegais se forem repetidas em período oficial de campanha». E acrescenta: «Já agora, note-se a má-fé do cónego. O que o Código Canónico diz sobre a excumunhão «automática» pode apenas aplicar-se a quem estiver envolvido num aborto (...) e não tem absolutamente nada a ver com votar sim no referendo, até porque muitos cristãos votarão sim (...) E digo apenas má-fé porque não se pode supor tão oportuna ignorância por parte de um doutorado em Direito Canónico por Salamanca.» Cá os do bando andávamos confudidos e, sinceramante, mais a tender para a abstenção. Esta ameaça vinda do senhor cónego ajudou-nos a decidir. Bem haja senhor Cónego por nos iluminar.

Naqueles tempos da infância, o senhor professor padre Tarsício Alves também estava presente nas nossas brincadeiras. E dizíamos: «Não sejas como o padre Tarcísio que te dá na cabeça quando é ‘precisio’». É que o senhor padre quando as coisas não lhe corriam de feição tinha a péssima mania de aplicar as suas grossas falangetas nas nossas cabeças. Doeram-nos agora muito mais estas suas desbocadas palavras.


Comments:
Pois é... Bem, quanto às opiniões de cada um que levará a decidir em que votar no referendo é da estrita intimidade de cada um. Poderá engrossar as fileiras dos apoiantes do Sim, bem como poderá engrossar as do Não, ou ficar quieto e calado e nem sequer ir a votos, como conheço muitos. Agora quere-se coartar o livre pensamento e a livre vontade de se fazer o que quizer com tais "atoardas" é de facto demais. Mas, estou curioso, como é o otal Cónego pode excomungar quem quer que seja? o Voto é secreto...ou será que para esse senhor o voto é secreto como o é na actual Venezuela de Chavez?
 
Também fui aluno do padre Tarcisio, eposso garantir que ele e outro padre, que já morreu (Joaquim Cabral) eram uns belos de uns judeus (no mau sentido) candidatos ao panelão do Pero Botelho
 
O homem continua a sua cruzada

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=228644&idselect=90&idCanal=90&p=200
 
FACULTAD DE DERECHO

UNIVERSIDAD DE SALAMANCA



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Departamento de Derecho Administrativo, Financiero y Procesal
Departamento de Derecho Privado
Departamento de Derecho Público General
Departamento de Derecho del Trabajo y Trabajo Social
Departamento de Economía Aplicada
Departamento de Historia del Derecho y Filosofía Jurídica, Moral y Política

A Universidade de Salamanca não concede o grau de Doutoramento em Direito Canónico. Tarcísio, deve ter feito doutoramento em Direito canónico na Universidade Pontefícia de Salamanca. Miguel Unamuno, mesmo morto pelas balas franquistas, gritaria de raiva se soubesse que Tarcínio era doutorado pela sua Universidade.
 
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