18 de setembro de 2006

 

A reforma agrária também chegou à Egitânia

A freguesia de Idanha-a-Velha possui um regime de propriedade rural, onde praticamente todo o termo, apenas pertence a duas famílias: Marrocos e Franco. Propriedades estas provenientes das antigas comendas da Ordem de Cristo, entretanto privatizadas após a revolução liberal.

Em 1974, após o 25 de Abril, assistiu-se a um movimento que propunha a distribuição de terras por quem as não tinha e a formação de cooperativas e unidades colectivas de produção.

Idanha-a-Velha estando em situação igual ao Alentejo, não escapou a esta febre a que se chamou reforma agrária. No entanto a ânsia de espoletar esta reforma, afastou desde logo metade da população, e com razão, pois muita gente tinha pequenos chões à renda e mesmo esses foram desvastados pelos tratores dos reformistas. Depois de tirarem as terras aos donos, nada mudou na estrutura produtiva e organizativa. Tudo ficou igual, apenas mudaram os cabecilhas e como tal, progressivamente, a Cooperativa foi ficando mais leve em elementos até que auto-extinguiu. Ainda durou alguns anos, mas nunca foi motor de progresso para a terra, só serviu para encher os bolsos de meia dúzia.

Da Cooperativa Agro-Pecuária da Egitânia fica este raro autocolante para a história, mal contada e sombria da reforma agrária que se fez em Idanha-a-Velha.
Autocolante da colecção de Pedro Miguel Salvado

Comments:
Infelizmente os casos de tentativas de cooperativas, nunca deram bons frutos em Portugal.
Talvez se nao fossem conutadas com os comunistas e tivessem sido melhor geridas, poderiam ter tido melhor futuro.

Foi entretanto muito tempo e dinheiro perdido.

Serve esse autocolante, ao menos para lembrar uma parte de ma memoria, da nossa historia.

Um abraco de amizade.
 
talvez se a reforma agrária não tivesse sido logo desmantelada ainda sem estar consolidada talvez ...
e agora, sem cooperativa, todos têm os seus chões livres dos tractores e livres de gente...

essa, a gente, teve que partir.

Mas idanha-a-velha está muito melhor sem gente.

essa, a gente, só servia para se colocar em frente do património histórico e tapar a visão de quem queria observar...

Foi de tal envergadura o ataque à reforma agrária que ainda hoje há sequelas. Hoje querem fazer associativismo agrícola e florestal e não conseguem por causa dos preconceitos que plantaram...

assim vai o país... assim vai o interior... assim vai a gente!
 
também convem lembrar que o muito dinheiro que CE deu para aagriculturea portuguesa não grandes frutos ... talvez se fosse conutado com os capitalistas e sdalfrários ... teria tido outro rumo.
 
com a morte da egitânea morreu também idanha-a-velha.
morreram as hipóteses de se fixar pessoas na aldeia.
e agora nem a meia dúzia que tinha bolsos lá está.
agora quem ganha é apenas o dono das terras
ganha subsídio por não fazer nada nas terras que tem. por não cultivar, por não empregar, etc
como disse o primeiro anónimo assim vai a gente...
 
Meus caros, a Cooperativa de Idanha-a-Velha de Cooperativa só tinha o nome. Como eu disse limitaram-se a trocar de cabecilhas. Nunca inovou, e olhe que recebeu ainda um tractor e uma máquina de rastos da então URSS. A produção e a gestão dos recursos humanos continuou na mesma. Depois ponham-se no lugar das pessoas que tinham as suas hortas e que de repente, só porque não quiseram aderir viram as suas couves e os seus feijões serem esmagados debaixo das rodas dos tractores. Eu pessoalmente acho que é uma imoralidade uma pessoa ser praticamente dona de uma freguesia, mas tanbém sou contra as ocupações selvagens. O que deveriam ter feito era irem em força para os registos verem o que estava registado e aquilo que não, mas não toca de ocupar , de explorar e deram tempo a que os antigos donos legalizassem tudo, Sim porque estou muito convencido de que muito daquilo que têm não era deles, e se o têm também foi fruto de uma reforma agrária que teve outro nome, com origem na extinção das ordens religiosas. Mas para rematar tenho a dizer que a Cooperativa não foi nem tinha capacidade para ser motor de progresso, dominava e domina a ideia em Idanha-a-Velha de que "sempre foi" ou "toda a vida foi" e está tudo dito. Sempre foi e será muito dificil mexer nas estruturas sociais da antiga Egitânea, nem para melhorar, e eu que o diga que senti na pele
 
As cooperativas de crédito que estão na origem do Crédito Agrícola deram resultado porque os agricultores tomaram os seus interesses nas suas maõs. A partir de 1977, D durate Bragança, os drs. Diogo Sebastião e Ferreira da Costa, impulsionaram as Caixas de Crédito Mútuo.
Em 1980 existiam 170 Caixas, e em 1995 atingiam mais de 300 em pleno funcionamento, mobilizando quase 50.000 associados, e constituindo um grupo bancário apreciável. Em 1978 foram constituídas as Sociedades Cooperativas do 2º grau: UNIÃO, do Algarve (UNICAMA), Federação Nacional (FENACAM) e Federação Regional do Centro (FERBEC). Em 1980 surgiram as UNIÕES do Distrito de Aveiro, Beira Alta e Açores para coordenar e desenvolver as dezenas de Cooperativas de Credito já constituídas.
Organizou-se depois uma Federação Nacional do Crédito Agrícola Mútuo, que agrupou as associações de cada concelho. D. Duarte foi Presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Nelas, anos depois, da Federação e finalmente membro do Conselho da CONFAGRI
 
os comunistas e quejandos esqueceram-se completamente do o marx e engels escreveram.
o comunitarismo tradicional português do séc. xix e xx estiveram muito mais perto do comunismo que esses palermas todos juntos.
conseguiram sózonhis conciliar propriedade privada com solidariedade.
leia-se jorge dias ...
 
Trata-se, sem duvida, de um importante testemunho deste periodo. Porque não a constituição de um arquivo oral destas pessoas que viveram estas transformações. Pense nisso joaquim...
 
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