5 de maio de 2006

 

Senhora da Granja (Proença-a-Velha)


Situada a alguns quilómetros para norte de Proença-a-Velha, a zona da Senhora da Granja constitui um dos mais importantes pólos arqueológicos do concelho de Idanha-a-Nova. O ponto central é a capela de orago à Senhora da Granja, edifício construído, segundo a tradição pelos Templários. Ainda hoje se notam bem alicerces em volta da ermida, mais exactamente na sua face norte, o que vem dar razão a quem defende uma fundação anterior ao que hoje se vê e que é nitidamente uma construção do século XVI. A porta lateral é de boa talha de bisel chanfrado interrompido por semi-esferas. O portal principal é também ele chanfrado. Metidos nas paredes existem aras e mós romanas, o que nos faz desconfiar estar-mos perante um local onde se pratica culto religioso desde a época romana até hoje. O aparecimento numas construções ao lado da capela em 1978 de uma ara romana dedicada a Júpiter só vem reforçar a nossa desconfiança. Nos anos 80 Rogério Carvalho efectuou escavações nas redondezas mas os resultados nunca foram divulgados até hoje.
Em volta da ermida ainda são visiveis alguns túmulos-arca atestando a medievalidade do local.
Mais longe, não muito, há vestigios de um poço possivelmente de origem romana, assim como caleiras para o transporte da àgua. São bem visíveis igualmente restos de vestígios romanos como tégulas, algumas com a marca LVNI, que aparecem por várias vezes, e outros materiais comuns. Há também a notícia do aparecimento de moedas romanas e eu próprio, em 1984, vi na Aldeia de Santa Margarida numa casa particular de uns pequenos recipientes de ouro que se encaixam uns nos outros, mas de época nebulosa.

Comments:
Foi mesmo o arqueólogo R. Carvalho a proceder a investigaçãos no local? O Manuel Leitão não publicou a referida inscrição dedicada a Júpiter ou trata-se de outra? Não há mais elementos epigráficos provenientes dessa ermida?
 
Indiscutivelmente, essa região teve um povoamento importante em época romana e alto medieva. Penso que esse explendor que, em termos relativos, contrasta com o de hoje, se terá, pelo menos em parte, ficado a dever à sua integração num corredor fundamental de circulação entre a metade sul de Penísula e a metade Norte (corredor de Cáceres - Castelo Branco), ligando as duas mesetas separadas pelo sistema central. Tal importância já foi sublinhada, aliás, para a Proto-História (Raquel Vilaça, por exemplo) e mesmo para as etapas iniciais da Neolitização (por exemplo por Jesus Sanches e por mim). O que ainda não vi explicado (provavelmente por falta de informação minha) é o declínio que a região sofre a partir de certa altura. Saberá de algumas teorias sobre o assunto?
 
Corredor?
 
Penso de uma forma muito simples que ao artificialmente criarem nesta zona uma linha de fronteira, tal"corredor" foi cortado e a região desenquadrada do seu pólo de desenvolvimento desde sempre, ou seja a zona de Cáceres/Mérida. Esta região pouco tem a ver com a faixa atlântica. Com o fecho da grande via romana, truncou-se a região que terá ficado erma. Isto de forma muito simplista. Há que desenvolver este tema.
 
Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?